Do Cinema para a Televisão: Bates Motel

Do Cinema para a Televisão: Bates Motel

Ao longo da história do cinema, muitos foram os filmes que ficaram marcados por gerações e gerações posteriores. São obras que apresentaram aspectos inovadores e revolucionários para a época lançada, podendo, futuramente, serem aproveitadas de alguma maneira por diferentes tipos de mídias. Isso já acontece há algum tempo com a literatura, com diversas adaptações de clássicos para o meio audiovisual, e atualmente, com o sucesso dos seriados, está cada vez mais comum ver filmes serem adaptados para a televisão, ampliando os feitos daquela obra já consolidada em nossa cultura.

E um filme que entrou nessa nova onda de remakes e reboots para a televisão foi o clássico Psicose, lançado em 1960 e dirigido por Alfred Hitchcock. Para quem não sabe, Psicose é um filme norte-americano de suspense/horror que conta a história de Norman Bates, um jovem estranho e solitário que vive com sua mãe em um fatídico hotel localizado em uma pequena cidade do interior. Em um certo dia, o Bates Motel recebe a visita de Marion Crane, uma secretária que havia roubado 40 mil dólares da empresa onde trabalhava, e no meio de sua fuga, acaba se hospedando no hotel de Norman. Porém, devido alguns acontecimentos, Marion acaba desaparecendo, o que faz com que sua irmã e namorado acabem indo ao hotel investigar o que aconteceu. Mais tarde, descobre-se que Marion foi assassinada por Norman Bates, que apresenta um crise de dupla identidade na qual adquiriu a personalidade da mãe, Norma Bates, falecida por causas desconhecidas. E sempre que Norman se relaciona com alguém, a personalidade da mãe acaba aparecendo e matando as pessoas.

Em 2013, a clássica história adaptada por Hitchcock ganhou novas nuances no seriado Bates Motel, que funciona basicamente como um prelúdio do filme, mostrando a adolescência de Norman junto de sua mãe e o que o levou a adquirir essa dupla identidade, formando um dos assassinos mais conhecidos da história do cinema.

O roteiro da série trabalha muito bem a relação Norman/Norma, mostrando como o excesso de proteção da mãe com o filho acabou servindo como um gatilho para o seu transtorno mental. Na verdade, percebemos que Norman já apresentava a doença, mas a relação extremamente próxima e ciumenta que ele mantinha com a mãe só agravou o seu estado. No primeiro episódio, antes de existir o hotel, Norma vivia uma relação abusiva com seu marido, e em uma das agressões, Norman acaba matando o pai inconscientemente. Esse é o ponto de partida para a história da série, que após esse ato, mostra Norma fugindo com o filho para uma cidade do interior e fundando o Bates Motel.

Bates Motel
Norman, interpretado brilhantemente pelo ator Freddie Highmore é um dos personagens mais importantes da história do cinema, e a série só confirma isso. O texto mostra um protagonista cheio de camadas, não o tratando através de uma visão maniqueísta. Muito pelo contrário, por mais que ele seja um assassino, os roteiristas deixam claro que sua doença é muito grave e deve ser tratada. Suas ações são inconscientes e percebemos isso logo nos primeiros episódios.

Já sua mãe, é uma das coisas mais interessantes que a série apresenta. Como no filme não tivemos a visão de Norma sobre os acontecimentos, afinal ela já estava morta, na televisão podemos perceber o quão estranha era relação dela com o filho, passando dos limites do excesso de proteção e, muitas vezes, chegando bem próxima da loucura. Norma é apaixonada, obsessiva e protetora, não tendo limites para esconder do filho o que realmente estava acontecendo com ele. Assistindo a série, fica muito claro perceber o que levou aos acontecimentos finais da obra de 1960.

Mas se os protagonistas são o ponto forte do seriado, seus personagens secundários são o que fazem a série ser lenta e cansativa em alguns momentos. Conhecemos Emma, a melhor amiga de Norman, Dylan, irmão de Norman, Caleb, o irmão de Norma, Romero, o xerife da cidade, além de outros personagens. Porém, todos eles são mal conduzidos no enredo, apresentando histórias que não contribuem em nada para o desenvolvimento da trama principal. Servem apenas para preencher um espaço de tela e fazer com que a série tenha dez episódios por temporada.

bates motel

Atualmente, a série está em sua quinta e última temporada, adaptando, finalmente, o arco de Psicose. Já tivemos até Marion, interpretada por ninguém menos que Rihanna, que fez jus ao papel. Mas o mais legal, é o que os roteirista não tiverem medo de ousar e tomaram algumas liberdades criativas, deixando a história do filme diferente da original, mas ao mesmo tempo mantendo sua essência, com várias homenagens e referências. Falar mais do que isso sobre as surpresas da série e, principalmente, sobre os últimos episódios televisionados é estragar a experiência de quem pretende assistir.

Enfim, Bates Motel é a prova de que adaptações do cinema para a televisão podem dar certo e honrar a obra original. É claro que às vezes sai muita coisa ruim, mas já tivemos muitas produções boas sendo contadas através de um ponto de vista diferente na televisão e a história da família Bates é prova disso.

Esse texto é uma parceria com o blog Uppermag

Paula Pinter

Paula Pinter

Nerd, 28 anos, paulistana, conhecida também como Minorith nos joguinhos online, Lead de Comunicação da BBL / ESL Brasil, streamer ~de vez em quando~, "a tia louca por gatos", formada em Administração, apaixonada por marketing digital, fã de coisinhas cute, música, tecnologia e de um bom livro.