Numa toca no chão vivia um hobbit | Fanfic

Numa toca no chão vivia um hobbit | Fanfic

“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de minhocas e com cheiro de lodo; Era a toca de um hobbit, e isso significa boa comida, uma lareira quente e todo o conforto de um lar.”

Bilbo acordou cedo, mais do que o de costume. Estava suando, tremendo, ofegante com o pesadelo que acabara de ter. Pegou seu cachimbo, presente de um velho amigo branco, sentou-se na janela e ficou olhando para o céu escuro matutino.

Sentia saudade dos amigos distantes e daqueles que não voltará a ver mais. Estava envelhecendo, aquela agilidade do hobbit que evitou uma guerra entre elfos e anões se esvaiu ao longo do tempo. A astúcia para entrar nos domínios de Smaug também virou apenas história.

E naquele momento percebeu que independente do tamanho de sua força, o tempo sempre castiga e vence. Sabia que algum dia Sauron voltaria, que a Terra Média estaria novamente em perigo. Lembrou da morte de seu grande amigo Thorin Escudo de Carvalho, e dos romances entre Tauriel e Kili, Arwen e Aragorn.  Percebeu que em todos os momentos estava sozinho ali, envelhecendo.

O tempo passou e sempre continuou como um hobbit solitário, sem uma companheira ao seu lado. Frodo, seu filho adotivo, estava casado e longe de casa. Tudo o que tinha naquele momento era o presente de seu amigo mago e lembranças de uma vida cheia de aventuras.

No fundo de sua alma desejava voltar para as aventuras, voltar para onde realmente era Bilbo Bolseiro, e não apenas um hobbit que vivia na pequena vila do Condado. Aquela vida não fazia sentido para ele, sentia que estava esperando a morte, conformado.

A escolha de voltar das Terras Imortais dos elfos foi certa. Afinal, não poderia ficar preso no tempo enquanto seus conhecidos envelheciam e morriam, era algo totalmente egoísta para o pequeno hobbit.

Ao cair os primeiros resquícios de luz no chão de sua casa, o velho Bilbo colocou o cachimbo ao lado da janela, pegou um casaco que estava pendurado na parede, esboçou um sorriso de canto de boca, liberando a fumaça que formava desenhos no ar, e falou com tranquilidade:

-Realmente, um mago nunca se atrasa…