Precisamos falar sobre transtorno de ansiedade

Precisamos falar sobre transtorno de ansiedade

Não é de hoje que esse assunto vem ficando cada vez mais recorrente. Cada vez mais pessoas são diagnosticadas com transtorno de ansiedade, em alguns casos associado à depressão. Mas afinal, o que é esse transtorno? É aquele friozinho na barriga quando estamos esperando por algo importante? É quando não conseguimos dormir porque amanhã o dia será especial?  Quem dera fosse. É muito mais profundo e dilacerador que isso.

ansiedade
Claro, essa não é a definição real do transtorno de ansiedade. É apenas uma versão poética, mas que traz muita verdade. Se você sofre desse mal, certamente se identificou com parte ou toda a definição descrita na imagem. Mas vamos à definição mais científica: é a presença quase permanente de preocupação e/ou tensão, mesmo quando não há um real motivo para isso. Os sintomas mais comuns são dificuldade de concentração, fadiga/cansaço, irritabilidade, insônia, inquietação, desconfortos estomacais e intestinais, sudorese, sensação de coração disparado, entre outros.
Sim, transtorno de ansiedade é uma doença e precisa ser tratado tal qual qualquer uma outra. Na nossa sociedade, infelizmente, é ainda muito comum que doenças psicológicas sejam classificadas como “frescura” ou “fraqueza” de quem as possui. Não seja o babaca que julga seus amigos ou familiares, seja aquela pessoa que, mesmo não entendendo como a doença funciona, esteja lá para dar suporte quando for necessário.

Eu sofro de transtorno de ansiedade e a minha vida não tem sido fácil nos últimos meses. A gente acaba entrando num abismo dentro de si mesmo e é muito difícil sair. Tudo parece um problema grave, a gente vai perdendo o brilho, a auto-estima vai ao chão. A situação só piora quando ouvimos frases do tipo “mas você está assim porque quer”, “você é doida(o)”, “você não faz nada direito”, “nunca consegue terminar o que começa” e várias outras expressões nada acalentadoras.
Busquei tratamento e uma nova batalha se iniciou: encontrar o remédio que se adapte ao meu organismo e me ajude a controlar os sintomas. Gente, parece fácil.. parece que é só tomar o remédio que pronto, tá tudo resolvido. Não é bem assim.
Vários medicamentos tem efeitos colaterais horríveis e isso varia de pessoa para pessoa. Para vocês terem ideia, um dos medicamentos me deixou triplamente ansiosa ao invés de aplacar os sintomas. Eu não conseguia ficar quieta, não dormia durante a noite, tentava descontar as frustrações em comida e fui ganhando peso. E aí você acaba preso naquele looping: não consigo me concentrar em nada, me frustro, como, engordo, me frustro porque comi, como pra aplacar a frustração, me frustro mais porque não consegui me controlar.
Então, juntamente com o tratamento psiquiátrico, é necessária uma terapia psico-cognitiva comportamental, que nos ensina a mudar os padrões de pensamento, entender todas as respostas fisiológicas que o organismo dá e aprender a lidar de uma maneira melhor com todo o turbilhão de emoções preso dentro da gente.

A mente de um ansioso trabalha à mil, é totalmente disfuncional. A gente fica antecipando tudo o que pode acontecer (e que muitas vezes nem acontece), somos consumidos por essas pequenas preocupações e frustrações que, somadas, pesam demais na consciência e no coração. E quando a ansiedade é associada à depressão, essa situação piora ainda mais.

transtorno de ansiedade

“Todo mundo que você encontra está lutando uma batalha que você não sabe nada à respeito. Seja gentil. Sempre.”

 
Essa é a mensagem que eu gostaria de deixar para vocês, nerdinhos. Doenças psicológicas não são besteira, elas podem matar como qualquer doença grave que não é tratada. Estejam atentos às pessoas com as quais vocês se importam, tenham paciência e respeito.. e claro, sempre as incentivem a buscar ajuda.

Beijos!