Sobre Celeste e escalar montanhas

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Demorei um pouco pra sentar, pegar meu notebook e escrever sobre Celeste, por que esse jogo é uma obra de arte em formato de vídeo-game. Como explicar algo que – faz todo o sentido pra você – e se encaixa perfeitamente no que você está vivendo agora?

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O jogo acompanha a história de Madeline, que precisa escalar a Montanha Celeste – que dá nome ao jogo, óbvio – para se descobrir. Responder à pergunta de “quem sou eu?” que está na sua cabeça. Mas ela foi avisada: a montanha não é um local simples. Escala-la não é fácil.

Os controles de Celeste são fáceis: andar, pular e você também tem a opção de dar um dash. Com uma estrutura de jogo de plataforma, ele nos dá visões pixeladas de fases e mundos incríveis, bem como os amigos e inimigos de Celeste durante sua escalada.

Não é só sobre a montanha

Madeline é uma garota normal. Tem medos, é ansiosa, passa por períodos de depressão e síndrome do pânico, tem sentimentos como todos nós. Mas precisa escalar a montanha: não sabe por que, não tem certeza de que quer, mas faz. É muito fácil se colocar no lugar dela.

Parte de Mim, a personificação de sua depressão e ansiedade – que inicialmente pensamos ser uma versão malvada da garota – nos é apresentada no jogo e, bom, não gostamos dela. Ela tenta confundir a menina, tenta convencer de que a escalada não é pra ela, que ela não vai conseguir.

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Madeline precisa lidar com seus monstros. Internos e externos. Passa por amigos e outros personagens na sua subida e todos eles tem alguma coisa à acrescentar: muitas vezes, próprios conflitos e problemas. E ela precisa escapar disso por que, apesar de ajudar, não pode resolver nada por ninguém. E, bom, é como nos sentimentos. Muitas vezes queremos resolver tudo por quem gostamos, mas sempre nos esquecemos de que não podemos.

Conseguimos ajudar e fazer tudo o que estiver à nosso alcance. E também precisamos lembrar, constantemente, que ninguém pode fazer as coisas por nós, que pra ficar bem, nos livrar de alguma coisa – mentalmente ou fisicamente -, que, para melhorarmos, precisamos fazer POR NÓS MESMOS.

A mecânica e a história conversam entre si

As vezes Celeste pode ser bem difícil. Isso por que a dificuldade do jogo conversa e cria uma ponte com a história do jogo, com as dificuldades da protagonista. Fases em que você precisa voltar milhões de vezes, que você quer desistir e largar o controle.

É engraçado como eu me senti conectada à protagonista do jogo em diversas situações, não só por sua história, mas pelo momento em que eu estava jogando. Senti raiva e senti que a escalada ao topo da minha montanha não seria completada com sucesso.

Mas tudo bem: você não precisa se preocupar se morrer. Você, aliás, vai fazer bastante isso no decorrer do jogo. Faz parte do jogo – e, acredito eu, parte da imersão na história – errar e recomeçar. Não tudo de novo, mas ter na cabeça que recomeçar faz parte do jogo.

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Celeste é emocionante e, mesmo que um jogo “simples” de plataforma, consegue passar a mensagem que deseja. E muito bem. E a metáfora sobre escalar uma montanha nunca foi colocada tão perfeitamente. Não deixe de jogar Celeste e, por favor, não desista de escalar a sua montanha. Nada que um morango no caminho não ajude, né? 😉

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Eu não perco uma partida de Mortal Kombat se eu picko a Sindel. Amante de tudo que dá pra jogar (de jogo-da-velha à Mario Kart), queria ser da Disney e jogaria Zero Escape mil vezes por ano.