Um Ato de Esperança | Review

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Preciso começar dizendo que fui convidada pra minha primeira cabine de imprensa e eu amei! Queria agradecer não só a A2 Filmes como a Ju por ter confiado em mim e ter disponibilizado esse convite pra minha pessoinha.

Voltando ao que interessa, antes de ver o filme assisti ao trailer e li a sinopse e notei que se tratava de um assunto bastante polêmico: lei x religião. Confesso que minhas expectativas não eram altas mas estava animada por ter atores de grande nome no elenco.

Fiona Maye, interpretada por Emma Thompson, é uma juíza da Suprema Corte na Divisão da Família, é extremamente inteligente, reservada e 200% comprometida com o seu trabalho, o que acaba consequentemente causando uma perda de sensibilidade com as pessoas devido as decisões que tem que tomar no tribunal. Com seus 50 anos de idade e casada com Jack, personagem de Stanley Tucci, que é um professor de história antiga, se encontra em uma posição onde tem que conciliar a vida pessoal e a profissional, em uma cena onde seu casamento está desmoronando. Seu marido, aparentemente cansado da rotina de Fi (como ele a chama carinhosamente e você acaba chamando-a assim também quando vai contar do filme pra alguém) intensa e ocupada pelo trabalho, diz que sente falta da intimidade que o casal tinha anos atrás e decide que quer ter uma amante.

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Em meio a crise no casamento, Fi recebe um caso complexo e emocionalmente exigente com urgência: um garoto de 17 anos internado em um hospital com leucemia que se recusa a receber o tratamento por ser Testemunha de Jeová. Pra quem não sabe, segundo essa religião o seu sangue é um presente de Deus e é algo único e sagrado, não sendo permitido nenhum procedimento onde há troca/introdução do sangue de outra pessoa no corpo por ser considerado algo impuro e um pecado. A protagonista então aceita o caso, e em poucos dias (2 ou 3, não me recordo) terá que estar preparada para a resposta final: conceder ou não a permissão para realizar o tratamento.

No dia da audiência os pais do garoto lutam contra a justiça para que seus ideais religiosos superem a lei e que respeitem a decisão do casal. Fiona observa os dois lados com cautela, apesar da pressão do hospital devido ao estado de saúde do garoto a advogada de defesa rebate os argumentos com rapidez e propriedade, e a juíza se vê em um beco sem saída. Decide então quebrar o protocolo e encontrar o paciente em questão, fazendo uma visita ao menino para saber o que ele realmente quer fazer com a vida dele. Ela conhece então Adam Henry (Fionn Whitehead), um jovem de 17 anos que passou a vida ditada pela religião, um adolescente inocente e cego pela fé, que se surpreende ao ver a Senhora entrar em eu quarto. É aí que o feel do filme acontece. Na conversa com o garoto ela observa um violão no pé da cama e o entrega nas mãos do rapaz que, maravilhado com a visita de alguém tão importante, começa a tocar uma música onde Fi sabe a letra e canta acompanhando os acordes. Surge então uma ligação enter eles: uma juíza de meia idade que nunca teve filhos e um jovem a beira da morte, um impacto na vida um do outro. Sensibilidade e comoção seriam as palavras que eu acharia correto descrever o que Fi sentiu naquele momento (além de eu ter interpretado que ela colocou o bem-estar acima de tudo nesse caso da divisão familiar); ela enxerga no menino uma vida inteira pela frente (e faz com que ele mesmo veja isso através da música que surgiu de um poema) decidindo dar um voto de liberdade e permitir que o hospital realize a transfusão de sangue necessária para o tratamento da doença.

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Com o veredito, o garoto já maior de idade enxerga Fiona como uma figura divina por ela ter decidido qual rumo tomaria sua vida, tendo em vista que em sua religião era pregado que somente Deus tem controle sobre o destino das pessoas, e vai atrás da protagonista. O rapaz está em busca das respostas para suas dúvidas, e demonstra como é difícil  essa transição da adolescência em que o crescimento é rápido e a vida adulta é esmagadora.  Com sua vida pessoal abalada pelo casamento problemático e em estado vulnerável, Fi acaba inconscientemente procurando uma proximidade nas pessoas, e acaba vendo Adam como uma relação pessoal. Nesse ponto do filme eu realmente fiquei confusa, não soube identificar se ela o enxergava como uma figura romântica ou como um filho que nunca teve, e acho que essa dúvida é deixada para que o espectador tire sua própria conclusão.

Eu particularmente achei o filme incrível! Pelo roteiro se tratar de um assunto delicado e polêmico, abordaram o tema com muita segurança e credibilidade. Quero com certeza assistir de novo com outras pessoas e debater se a decisão da juíza foi correta e sobre a dúvida da relação dela com o garoto.

O filme estreia essa quinta, dia 21/03 nos cinemas.

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Thays Toledo
23 anos encantando o mundo, mãe de 3 gatos e 1 coelho, viciada em filmes da Disney e futura publicitária; apaixonada em games desde pequena, tentando a anos colocar todas as séries em dia e melhor amiga do Batman nas horas vagas.