Saint Seiya – Saintia Shô: Episódio 1 [REVIEW]

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Passados dois anos do anúncio oficial, finalmente Saintia Shô chegou para os fãs de Cavaleiros do Zodíaco.

A produção da Toei Animation causou uma ótima primeira impressão com o episódio piloto, apresentando um universo já conhecido do mangá homônimo (lançado em setembro de 2013) e trazendo elementos clássicos para os fãs mais nostálgicos.

Nerd e Diva trará reviews à cada episódio inédito de Saintia Shô, disponibilizado no serviço de streaming Crunchyroll. Cada capítulo é lançado na plataforma toda segunda-feira, por volta das 11h (de Brasília).

Confira nossas impressões sobre o Episódio 1 – As Irmãs do Destino! Shoko e Kyoko.

ATENÇÃO: a análise a seguir conta com spoilers de Saintia Shô

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Os primeiros momentos do episódio de estreia do anime já direcionam o público sobre o que esperar dessa adaptação para as telas. Mesmo com certo mistério para dar o suspense necessário, as informações vão sendo apresentadas e já sabemos o que teremos pela frente nessa saga.

Tem-se a apresentação do mal a ser combatido, materializado no retorno de Éris, a Deusa da Discórdia; a apresentação das protagonistas, responsáveis pelo título do episódio, Shoko e Kyoko, que já reforçam, inclusive, os valores familiares – principalmente entre irmãos – que Kurumada sempre trouxe nas obras envolvendo Cavaleiros do Zodíaco; e, por fim, a contextualização de qual época o anime será ambientado, refletida na imagem de Miro, de Escorpião, velho conhecido dos fãs – e que traz uma problemática sobre como os acontecimentos da narrativa clássica irão dialogar com Saintia Shô.

Tudo isso se passa em meio ao Éden das Trevas, que promete ser palco de grandes confrontos futuramente e que não ficou muito claro como que se dá o acesso até esse reino maligno.

O momento inicial de conflito envolvendo a bruxa e a Maçã de Éris dita o tom sobre como serão as protagonistas: Shoko, uma menina preocupada muito com independência – possivelmente por sempre se ver protegida por Kyoko – que assume o papel de protetora à qualquer custo.

O compromisso de Kyoko em proteger sua irmã na cena inicial foi testado ao máximo nos momentos finais do capítulo
A proteção de Kyoko com sua irmã mostrada na abertura foi testada ao máximo no encerramento do capítulo

Curioso que a ambientação não esconde a referência clara à saga de Hades, algo visto até mesmo nos traços de Kyoko, que lembram muito Pandora – e isso por si só já traz toda uma discussão sobre bem e mal que Saintia Shô promete esmiuçar pelo que vimos no episódio piloto.

A fala da bruxa para Shoko é o ponto chave: “Você conseguiu chegar aqui sozinha”. Pela protagonista estar no Éden das Trevas, fica o questionamento exatamente sobre como ela chegou lá. Será que sentimentos ruins foram responsáveis de alguma forma?

Quer acompanhar Saintia Shô? Basta ver na Crunchyroll!

Por mais que fiquemos cientes de que ela e Kyoko são regidas por uma estrela maligna, a interpretação vai além de puro destino: será que Shoko vai caminhar entre o bem e o mal durante a saga toda, algo visto em Ômega, inclusive.

Saintia Shô quebrar essa dualidade para construir a personagem seria um tiro muito certeiro, afinal, sentimentos bons e ruins não nos definem, mas sim nossas ações. Ressignificar o debate bem e mal é muito atrativo, e promete colocar Shoko diante de dilemas com certeza.

Shoko não hesitou em comer a Maça Dourada: será que o lado maligno da protagonista será trabalhado?
Shoko não hesitou em comer a Maça Dourada: será que o lado maligno da protagonista será trabalhado?

A protagonista, inclusive, é uma personagem que cativa. As cenas do cotidiano dela em casa e na escola ajudam na humanização e a criar laços em situações descontraídas e de muita simpatia.

Menção honrosa à Saori Kido, a reencarnação de Athena: uma liberdade poética do anime exatamente foi de já tornar a personagem ciente do seu destino como deusa protetora da Terra – uma decisão que pode contrariar muitos fãs nostálgicos, mas que colabora para deixar Saori num papel mais ativo em comparação à narrativa clássica, na qual ela sempre era vítima.

Por mais que Athena não conseguiu evitar o sequestro de Kyoko, já tivemos mostras de como ela será fundamental na luta contra as forças de Éris ao decorrer da saga.

A guarda pessoal de Atena é formada pelas Saintias
Diferente da narrativa clássica, Saori Kido deverá ter papel bem mais atuante e de menos sacrifícios

Por fim, a aparição de Miro de Escorpião. O próprio Cavaleiro de Ouro trouxe o fio condutor de narrativa que Kurumada tanto gosta de implementar em CDZ: como os seres humanos são capazes de desafiar o destino.

Assim, Episódio 1 – As Irmãs do Destino! Shoko e Kyoko acertou no tom como capítulo piloto, trazendo um enredo que bebe muito da já conhecida narrativa vista no universo criado por Masami Kurumada, traços primorosos na animação e, claro, muito fan service – conquistando a atenção dos fãs mais nostálgicos e que sempre ficam com um pé atrás com os novos produtos relacionados a CDZ.

Luiz Queiroga
Luiz Gustavo, 24 anos, é um jornalista especializado em Esports que escreve principalmente sobre Rainbow Six Siege para a ESL BRASIL - e um cavaleiro de Atena nas horas vagas. TOCA BON JOVI!