Saint Seiya – Saintia Shô: Episódio 2 [REVIEW]

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Após sermos apresentados ao perigo de Éris, a deusa da Discórdia,  o segundo capítulo de Saintia Shô, divulgado na segunda-feira (17) nos revela como Shoko vai lidar com o seu destino e traz dilemas que envolvem não só a protagonista.

Confira nossas impressões sobre o Episódio 2 – A decisão de cada uma! A deusa e as Saintias.

ATENÇÃO: a análise a seguir conta com spoilers de Saintia Shô

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O título desse segundo capítulo realmente é levado bem à risca, afinal, a narrativa reforça o destino de cada personagem – trazendo à tona os dilemas de cada um.

O roteiro se preocupa em apresentar a responsabilidade que os personagens de Saintia Shô precisam lidar logo nos primeiros momentos do episódio – a começar pela protagonista.

Interessante ver como a animação realmente traz o debate sobre bem e mal comentado na análise do episódio piloto que deve permear Shoko durante a saga. Desde o começo fica claro que a real motivação da garota é resgatar a irmã. Motivação nobre, mas muito egoísta – e que pode gerar problemas.

Mayura foi um ótimo recurso de narrativa para apressar o treinamento de Shoko ao mesmo tempo que nos relembrou de lições clássicas de CDZ
Mayura foi um ótimo recurso de narrativa para apressar o treinamento de Shoko ao mesmo tempo que nos relembrou de lições clássicas de CDZ

Essa linha de raciocínio é bem exposta na chegada de Shoko à Togakushi, local de treinamento comandado pela amazona Mayura. Sem papas na língua, a mestra já coloca em questão o destino nebuloso de Shoko por conta da estrela maligna que a rege conflitando com a motivação pessoal dela.

Mayura reforça aquilo que fomos ensinados por meio da saga clássica de Cavaleiros do Zodíaco: o real dever de um cavaleiro, que não pode deixar questões pessoais sobressaírem a missão de proteger a Terra.

Até mesmo porque uma motivação pessoal pode virar “veneno”, como a própria Mayura comenta para Shoko, que se vê cercada por uma energia ruim materializada na cobra maligna.

Saintia Shô, que já havia introduzido o conceito da árvore de Adão e Eva anteriormente, retomou a leitura bíblica nesse episódio ao expor novamente a simbologia cristã.

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Adão e Eva não foram expulsos do Éden porque queriam ter o conhecimento de Deus, mas sim porque o fizeram de forma fácil e sem sacrifícios com apenas o mastigar da maçã proibida. Deus quer que seus filhos se tornem semelhantes, mas é preciso batalhar por isso. Essa provação de fé é vivida por Shoko. Ela precisa decidir a quem escutar: Mayura e o dever de ser um cavaleiro; ou então a cobra, que motiva apenas na missão de salvar Kyoko.

Tendo que lutar contra o sentimento maligno que reside em seu interior, é possível ver como o ódio também é fonte de poder – e talvez seja utilizado pela protagonista em momentos delicados do anime. Mas não é o caminho a ser seguido. A tentativa de a cobra seduzir Shoko, afirmando que a única forma de salvar Kyoko é se juntando ao exército de Éris, prova isso e reforça como motivações pessoais podem se voltar contra a própria pessoa.

O processo de emancipação que Shoko passa ao eliminar – num primeiro momento – esse mal mostra como a protagonista tem um coração puro acima de tudo – e que, portanto, é fonte de “energia ilimitada” nas palavras da própria Mayura. O episódio só não deixa claro se esse lado maligno realmente foi exorcizado ou então a protagonista terá que conviver com esses sentimentos, principalmente pela fala da amazona: “Mudar a cor da estrela maligna só depende de você”.

Shoko deverá lidar com os sentimentos ruins ao decorrer da saga (como qualquer ser humano diariamente)
Shoko deverá lidar com os sentimentos ruins ao decorrer da saga (como qualquer ser humano diariamente)

Como o capítulo bateu muito forte nas mesmas questões (sedução pelo mal, controlar o próprio veneno), é possível entender que teremos mais conflitos internos futuramente.

Essa mesma problematização feita em cima do arco de Shoko é possível ver na narrativa de Saori Kido. A reencarnação da deusa da Justiça é confrontada por Éris, que tenta plantar a semente da dúvida em Athena: as guerras na Terra só existem por causa da presença dela no planeta?

Em meio ao dilema impulsionado por Éris, vemos como Saori se vê convicta do seu papel como protetora da humanidade, ainda mais quando precisa lidar com a revolta de um antigo órfão da Fundação Graad, Toki, que não sobreviveu ao treinamento de virar cavaleiro, morreu e retornou como fantasma graças a deusa da discórdia pra se vingar de Athena.

Da dúvida à certeza: o semblante de Saori Kido é muito claro quanto ao entendimento da sua importância como Athena
Da dúvida à certeza: o semblante de Saori Kido é muito claro quanto ao entendimento da sua importância como Athena

Outra vez percebe-se como o roteiro de Saintia Shô está bem coeso, afinal, o primeiro alerta de Mii para Shoko no comecinho do episódio foi exatamente sobre o alto preço que um postulante a cavaleiro pode pagar: a própria vida.

Decisões. Definitivamente esse capítulo nos faz refletir sobre o que estamos destinados – e como lidar com isso.

Por fim, os fãs foram agraciados com as aparições de Saga como Grande Mestre e Aioria de Leão. Até mesmo a participação de Jabu de Unicórnio e certamente arrancou o sorriso de alguns.

As Sementes Malignas já nos reservam o perigo de Éris na Terra
As Sementes Malignas já nos reservam o perigo de Éris na Terra

O final do episódio nos prepara ainda mais para o que esperar pelo mal provocado por Éris: as Sementes Malignas, motivo de preocupação para os Cavaleiros de Ouro. Além disso, os Dourados já lidam com problematizações sobre as atitudes do Grande Mestre, em claro diálogo com os acontecimentos canônicos – o que facilita a compreensão sobre como os guerreiros de elite do exército de Athena posteriormente aceitam o discurso de Seiya e seus amigos na Saga do Santuário.

Saintia Shô sabe tomar decisões.

Luiz Queiroga
Luiz Gustavo, 24 anos, é um jornalista especializado em Esports que escreve principalmente sobre Rainbow Six Siege para a ESL BRASIL - e um cavaleiro de Atena nas horas vagas. TOCA BON JOVI!