Crescimento da Super Liga Feminina é resposta das próprias minas

Foto: Gui Caielli

A segunda temporada da Super Liga Feminina de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege vai começar neste sábado (1º) e só reforça o crescimento da inclusão de mulheres nesse cenário profissional.

Nos últimos tempos, a comunidade teve a oportunidade de presenciar torneios voltados exclusivamente para as pro players, que, mesmo tendo muita balinha para dar, ainda buscam seu devido espaço nesse meio majoritariamente masculino.

Campeonato Feminino (foto de capa) e Super Liga cresceram – e ajudaram no crescimento do cenário das mulheres.

“Quando anunciamos a season 2, vimos nas redes sociais a quantidade de organizações que estavam loucas atrás de equipes femininas – e era isso que queríamos”, respondeu AnaGema, CEO da Super Ligar Feminina, em entrevista exclusiva ao Nerd e Diva. “E sim, surgiu organizações novas apoiando as meninas do Rainbow Six por conta disso.”

SAIBA MAIS: veja como será a segunda temporada da Super Liga Feminina

O investimento para gerar mais representatividade em R6 tem aumentado cada vez mais, e a Super Liga Feminina está em sintonia com esse movimento. A diferença da primeira temporada para a de agora é gritante – ainda mais no que se diz respeito à premiação.

O valor total antes era de apenas R$ 180. Agora, o prêmio é de nada menos do que R$ 5 mil, sendo que R$ 2,5 mil é destinado ao campeão. São valores que espantaram as próprias jogadas inscritas, como é o caso de Ch0le, da SemORG!.

“Eu realmente me assustei com a premiação. Não achei que fosse tanto!” Em resposta conjunta com o restante da line-up, é consenso sobre como os investimentos proporcionados pela Ubisoft com os circuitos femininos – sendo o último realizado na GameXP, no Rio de Janeiro – favoreceu esse cenário.

Chl0e: o sorriso de quem se espantou com a premiação total de cinco mil reais
Chl0e: o sorriso de quem se espantou com a premiação total de cinco mil reais (Foto: Gui Caielli)

“O circuito feminino da Ubi chamou a atenção nas meninas para jogarem. Com certeza elas foram incentivadas!”

Isso é algo que a Super Liga Feminina também reforça nessa segunda temporada. Antes, eram nove equipes no páreo, sendo que agora são 11.

“O crescimento da Superliga desde a primeira season foi muito grande e o aumento da premiação foi um grande incentivo para que mais times se inscrevessem no campeonato”, analisou Isadora Basille, repórter e apresentadora da Super Liga Feminina.

“Cada vez mais o crescimento do competitivo, não só de Rainbow Six, mas também de outros jogos como CS:GO e League of Legends, se tornam notáveis – o que nos faz chegar cada vez mais perto de nós igualarmos ao cenário masculino.”

O número de times inscritos é ímpar porque a BootKamp precisou se retirar da disputa. O que também não estraga o espetáculo, afinal, a qualidade competitiva aumentou na visão das pro players.

“A Super Liga está com muitos times bons participando e muitas meninas dando bala”, analisou Avella em resposta coletiva com as suas companheiras da KAOS Gaming.

A Brazilian Crusaders é formada pela line-up multicampeã da antiga Team Fontt. Mesmo assim, os outros times prometem jogos bastante acirrados com elas
A Brazilian Crusaders é formada pela line-up multicampeã da antiga Team Fontt. Mesmo assim, os outros times prometem jogos bastante acirrados com elas (Foto: Gui Caielli)

A promessa é de muitas emoções, segundo as garotas da KAOS. “Podem esperar muita bala do nosso time, nós estamos ansiosas pra mostrar isso! O nível dos times está alto, tem muito time bom no campeonato.”

Todas as mulheres do cenário sabem da força que a Brazilian Crusaders tem já que a line-up conquistou tudo recentemente quando defendia a Team Fontt. Mesmo com todo esse protagonismo, porém, o alto nível que as outras equipes trazem para a Super Liga Feminina faz com que projetemos grandes jogos.

“Assim como a Brazilian, todas as lines estão muito fortes”, reforçou negativa, da Celestial Wolves. “A line delas é muito forte, mas dá pra fazer frente sim contra elas e levar a vitória.”

Espaço necessário

Iniciativas como a Super Liga Feminina são vistas como um espaço necessário para dar voz a quem não tem representatividade no cenário profissional de R6 – por mais que os torneios sejam mistos.

Em termos de Pro League, por exemplo, a única pro player registrada nos quatro circuitos regionais é a Goddess, da Cloud9.

Goddess é a única jogadora profissional presente na Pro League (Foto: Peter Chau)
Goddess é a única jogadora profissional presente na Pro League (Foto: Peter Chau)

Na visão de Bela, da ReD DevilS, um campeonato feminino abre portas para que mais garotas chamem a atenção de organizações.

“Esses campeonatos que aconteceram e vão continuar rolando traz um olhar muito necessário para nós mulheres gamers. Precisamos ser vistas com seriedade e com respeito.”

A luta é diária, afinal, qualquer pro player mulher é fortemente questionada e criticada só pelo fato de ser mulher. “O preconceito é quase palpável na comunidade e exige muita força de vontade de cada uma de nós para continuarmos essa caminhada. Então eu sou grata a essa visibilidade pois ela impõe, um pouco que seja, de respeito aos que nós atacam.”

É uma questão social, como reforçou Mand, da Resilience. Para ela, o investimento no cenário feminino traz vantagens “não somente para o cenário, mas para a sociedade, pois dá visibilidade, oportunidade e destrói a áurea intolerante que muitos criam somente pelo fato de sermos mulheres e acham que não podemos jogar ou coisa do tipo.”

Mand enxerga que o preconceito que o cenário feminino sofre nada mais é do que reflexo da sociedade
Mand enxerga que o preconceito que o cenário feminino sofre nada mais é do que reflexo da sociedade (Foto: Gui Caielli)

Por mais que cause certa polêmica, até mesmo entre as próprias mulheres, Mand acredita que torneios femininos são fundamentais hoje em dia. “Isso atrai mais meninas e sempre incentiva elas a não terem medo e mostrar que todas nós somos capazes também.”

Maior prova disso é Cherna, da Brazilian Crusaders. Indicada ao lado de outros sete jogadores como Melhor Atleta de Rainbow Six Siege de 2018, a pro player se viu obrigada a se afastar das redes sociais durante um tempo por conta unicamente da sua presença nessa lista do Prêmio eSports Brasil. O machismo não perdoou.

De volta à ativa, Cherna, que cogitou interromper a carreira por conta desses ataques, reconhece a importância de uma Super Liga Feminina.

Mesmo com mais outros homens indicados ao prêmio de Melhor Atleta de R6, o "problema" era a indicação de Cherna para boa parte da comunidade
Mesmo com mais outros sete homens indicados ao prêmio de Melhor Atleta de R6, o “problema” era a indicação de Cherna para boa parte da comunidade (Foto: Gui Caielli)

“A importância desses avanços para as mulheres é a visibilidade e a conquista de que cada uma pode receber, não estando em Pro League, Challenger League, entre outros. Pode, inclusive, surgir propostas para as jogadores entrarem em times profissionais da Pro League.”

A caminhada é longa, mas o momento é muito propício para as minas. Pelo menos é o que reforça o discurso de Chl0e. “Estamos felizes pelo incentivo que estão nos dando, tanto a liga como o circuito.” O Rainbow Six Siege também está feliz.

Luiz Queiroga
Luiz Gustavo, 24 anos, é um jornalista especializado em Esports que escreve principalmente sobre Rainbow Six Siege para a ESL BRASIL - e um cavaleiro de Atena nas horas vagas. TOCA BON JOVI!