Review | Lady Bird – A Hora de Voar

Lady Bird

O cinema nos trouxe inúmeros filmes de adolescentes como e seus problemas exagerados, a descoberta de seus relacionamentos e sexualidade e toda a relação problemática que eles sempre tem com os pais. E essa é uma referência reforçada tantas vezes que quem não tem/teve uma adolescência perturbada por todo esse furacão de sentimentos pode até se sentir fora do clubinho. E Lady Bird vem com força pra mostrar que há muito mais que o “clubinho” por ai.

Lady Bird

Lady Bird conta uma história adolescente, mas certamente não repete a receita do bolo hollywoodiano. Quero dizer, os ingredientes estão lá:  tem primeira vez, tem briga com mãe, tem entrada pra faculdade, tem bullying, tem drogas, tem escola católica, tem bebidas, tem festas… Mas mesmo assim, a diretora Greta Gerwig conseguiu montar um bolo diferente e surpreende (e muito) nessa primeira direção-solo dela. Conheci Greta primeiro como atriz em Frances Ha (que está disponível no Netflix e sim é um filme em preto e branco, mas eu juro que vale a pena, haha) e depois que assisti Lady Bird, tive a sensação de ser um filme quase biográfico.

Lady Bird

A atriz que interpreta a joaninha (rs) é a Saoirse Ronan que cai como uma luva no papel de adolescente rebelde, com o cabelinho colorido e a carinha de inocente. Junto dela estão a maravilhosa Laurie Metcalf que interpreta a mãe e Tracy Letts que faz o pai, e os dois apesar de fazerem o papel clichê de mãe malvada e pai bonzinho se sobressaem mostrando as emoções envolvidas na turbulência de ser pai/mãe de um “adolescente rebelde numa escola católica”.

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Lady Bird mais do que qualquer coisa, vem com a intenção de mostrar os pequenos presentes que a vida nos dá e o quanto temos dificuldade de vê-los do lado de dentro das nossas vidas. O quanto perdemos tempo dizendo que odiamos isso ou aquilo ou como queríamos que as coisas mudassem ou nunca acontecessem sem prestar atenção em como isso afeta as pessoas ao redor e principalmente, como sentiríamos falta de tal coisa se não tivéssemos.

É um filme leve, sem pressa, bem bonitinho, você sente que foi feito com carinho e com atenção redobrada aos detalhes, não é uma “super produção” (apesar de ser sim, com certeza), mas ao mesmo tempo é um grande filme. Lady Bird entra pro coração das pessoas que já passaram por situações similares e também te situa bem das sensações caso você não tenha passado. Explora os sentimentos de nostalgia, empatia e principalmente do amor e da saudade.

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Mostra a adolescência de um a maneira comum, com erros e com aquela angústia de não saber/conseguir ser melhor, se esforçar de todas as maneiras e com todas as pessoas mas mesmo assim não saber se é o suficiente. É sobre o não saber e sobre as tentativas. E também é sobre o amor de uma mãe (e de um pai também) que se esforça pra se encaixar no amor da sua filha, de entender como amá-la e amá-la de qualquer maneira e acima de tudo.

Lady Bird

É um filme pra guardar no coração com atuações amáveis e acolhedoras, um filme que te leva a fazer parte da família e querer viver do lado daqueles personagens, emocionante e encantador. Lady Bird certamente vai entrar pra lista de favoritos de muita gente e é daqueles filme “sessão da tarde” pra ver e rever mil vezes sempre que a saudade apertar.

Nota: nota_1nota_1nota_1nota_1nota_2

Designer, youtuber quando dá na telha, batgirl toda noite e durante o dia, garota gamer. Apaixonada por redes sociais, arte, escrita, comida e animais, todos com muito leite condensado, por favor.