5 Histórias Absurdas de Plágio e Trapaça da Cultura Pop

5 Histórias Absurdas de Plágio e Trapaça da Cultura Pop

2018 nem começou, tava de bobeira pelas interwebs, quando me deparei com a notícia de que o Radiohead, a conhecida banda britânica, estava processando Lana Del Rey por suposto plágio de Creep, um dos hits mais icônicos da década de 90.

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Cliquei sem pensar duas vezes, porque eu acho fascinante esses casos, porque é tudo muito relativo, pode ter sido só uma coincidência, equívoco ou uma pequena inspiração inocente no trabalho do coleguinha. Outro motivo da minha empolgação é outra historia por trás de Creep, tornando tudo tão maneiro que culminou na ideia desse post:

Uma lista dos casos mais absurdos de plágio ou aquela trapaceadinha marota da industria fonográfica, do mundo das artes e até de marca de uísque. Uma lista bem eclética com casos pra cair o queixo da cara. Vamos nessa!


 

1 – Ladrão que rouba ladrão, sem anos de perdão

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Bom, nosso primeiro causo é este de Creep (1993) que ja foi mencionado. Lana Del Rey está sendo processada pelo Radiohead por conta de Get Free, música de seu mais recente álbum, Lust for Life (2017)

[Clique nas músicas para ouvir e comparar]

Eu achei bem parecido. Lana esclareceu em seu twitter que está segura de que sua música não é um plágio. Chegou a oferecer 40% do direitos autorais para Radiohead que não aceita, exigindo 100%. Por isso vão a tribunal resolver essa treta.

AGORA O PLOTWIST…

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Creep, além de ser um hino dos 90, também ficou conhecida por ser acusada de plágio de outra música, no caso, a The Air that I Breathe do The Hollies. Eles entraram em um acordo, e hoje são devidamente creditados como co-autores de Creep. Podemos dizer então que Get Free é a cópia da cópia. E se Radiohead ganhar esse processo, vai ficar como? Os caras do The Hollies vão entrar nessa também? Eu não tenho ideia.

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2 – Os copyrights do Silêncio

Nas aulas de história da arte, quando se passa por Arte Contemporânea, professores entusiastas dessa corrente tão controversa, adoram citar de exemplo a conhecida obra do compositor John Cage, chamada de 4’33” para piano (1952), uma peça em que sua partitura não determina nota nenhuma. Ou seja, durante sua apresentação, os músicos passam 4 minutos e 33 segundos simplesmente parados sem tocar nada.

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Apesar de parecer piada, John Cage foi considerado um dos músicos mais influentes do século XX. Ele considerava todo tipo de ruído como aplicáveis para a música, ideia aceita na Música Erudita Contemporânea. Em 4’33” John Cage acredita que a obra não é o silêncio em sí, mas o conjunto de ruídos aleatórios resultantes dessa espera de 4 minutos dos músicos e da plateia na sala de concerto.

BIZARRO? NÃO ACABOU AINDA

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Em 2002, The Planets, uma banda de música clássica permaneceu por algumas semanas como top 10 na lista de Classical Albums da Billboard com o seu trabalho chamado Classical Grafitti, álbum com 17 faixas, sendo a décima terceira chamada A one minute silence, 1 minuto de silêncio.

Até ai OK, mas não para os herdeiros de John Cage que foram na justiça alegando os direitos autorais de 4’33”. E ganharam! Mike Batt, lider do projeto desembolsou uma quantia desconhecida de seis dígitos da moeda europeia como “retribuição” a essa homenagem, que ele próprio confessa ter sido inspirada na obra de John Cage.

Agora você sabe que o silêncio tem direitos autorais. Então cuidado.


 3 – Margaret Keane e o Transtorno Delirante

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Essa não é bem uma história de plágio e sim, algo bem pior que isso.

Walter Keane ficou conhecido nos anos 50 com “seus” quadros de crianças desenhadas com grandes olhos, geralmente retratados em situações degradantes. Ele ficou milionário com os quadros e era conhecido por ser muito articulado, charmoso e um bom vendedor de sua obra. Ele era casado com Margaret Keane, que por hora era só uma artista desconhecida. Só décadas depois do estrelato, eles se divorciam . E o motivo?

Foram anos e anos em que Margareth passou por uma espécie de escravidão virtual, pois era ela quem pintava os quadros e o seu marido os promovia em seu próprio nome.

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Só em 1969 Margareth processa Walter por difamação. No processo o juiz decide que ambos devem pintar um quadro na sala de audiência, a frente de todos, afim de descobrir a verdade. Margareth manda ver e termina seu trabalho em 53 minutos. O Walter inventa uma dor no ombro deixando seu quadro em branco.

O juiz determinou uma multa de 4 milhões de dólares pelos danos que nunca foram pagos. Além dele ter torrado grande parte da fortuna com bebida e uma vida excêntrica, os advogados também alegaram uma condição mental rara, chamada de Transtorno Delirante. Segundo a defesa, essa doença realmente fez Walter acreditar em sua própria mentira.

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Tomorrow Forever by Margareth Keane (1964)

Bom, pelo menos Margareth hoje é creditada como a verdadeira autora das obras e sua história foi contada no filme biográfico chamado Big Eyes, dirigido pelo Tim Burton e estrelado por Amy Adans (como Margareth) e Christopher Waltz (como Walter).


4 – Vanilla Ice rouba e depois compra!

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Under Pressure aquela música que foi uma parceria da banda Queen e do David Bowie, na época (1981) atingiu todas as paradas. Se você tá em uma festa e começa aquele irreconhecível riff de baixo, todo mundo se empolga e dança contente. Até hoje!

Em 1990, o rapper Vanilla Ice lança Ice Ice Baby que sampleia a mesma introdução, descaradamente mudando apenas uma nota, acho que afim de fugir das alegações de plágio. Obviamente isso iniciou uma luta judiciária na época.

Em entrevista recente para uma rádio, Vanilla nos conta que comprou os direitos de Under Pressure para resolver de vez esse problema.

“Assim como Michael Jackson é proprietário das músicas do Beatles, eu sou a mesma coisa com Under Pressure do Queen. Foi mais barato do que lidar com uma ação judicial”

Chega a confessar também como foi um idiota na época por dizer que não era plágio apenas por causa de uma nota diferente.

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Conclusão: Vanila Ice é um artista “One Hit Wonder” onde esse único hit ele nem pode ter todo o mérito. E se você hoje ouvir Under Pressure, saiba que os lucros de direitos vão para o bolso dele.


5 – A verdadeira história do uisque mais famoso do Estados Unidos

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Estamos acabando a nossa lista e para falar desse último caso, vou fazer o resumo  do resumo de uma história surpreendente, cheia de detalhes que se você quiser, poderá conferir depois nessa ótima matéria da Revista Exame no link abaixo:

https://exame.abril.com.br/negocios/a-verdadeira-historia-do-uisque-jack-daniels/

Tudo começou quando Fawn Weaver, uma escritora americana negra, em férias em Singapura leu pela primeira vez sobre “Nathan” Nearest Green:

O ESCRAVO QUE ENSINOU JACK DANIEL A FAZER UISQUE

Intrigada com o ainda “boato”, Weaver viaja para Nashville afim de apurar mais o caso. Apesar dessa história ser passada de pais para filhos das famílias de negros da região, Nearest Green não é mencionado em nenhum dos três tours que ela fez na destilaria Jack Daniels. Green foi totalmente apagado da história da marca.

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Então ela passa a pesquisar o passado desse escravo, reune mais de 10 mil documentos e artefatos ligados a Green e convence Brown-Forman, a empresa dona da destilaria Jack Daniel’s, a incluí-lo em sua história, nos tours pela fábricas, na mídia e pretende pessoalmente construir um parque memorial no centro da cidade onde Green e Daniel começaram no negócio de uísques. Além disso, está escrevendo um livro e se dedica a levantar fundos para trazer à luz da verdade o legado de Green. A Brown-Forman abraçou a ideia e já vem desde o ano retrasado tomando decisões nessa direção.

Pelo que consta, Green foi quem ensinou Daniel toda a arte da destilaria, provavelmente sendo o autor, em parte, da receita de um dos uísques mais famosos do mundo.

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Conhece alguma outra história boa de trapaça, plágio, transtorno delirante ou ocultação de fatos? Compartilha aí com a gente nos comentários e não esquece de compartilhar esse post se você tiver gostado.

 

Rafael Fonteles
Designer na Indústria da Beleza, cinéfilo kitsch, ex kitchen porter na Europa, straight outta Capão. Gosto de rap, de rock, de jogos antigos, de steak tartare, de filmes com o Seth Rogen e falo muito top.