Review | Cuphead

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O último jogo de plataforma que joguei por tanto tempo foi a série Donkey Kong do SNES que emulei inteira e perdi um bom mês passando cada fase, cada chefão e pegando bônus e tudo mais… Isso me fez ter a certeza de que os jogos antigos eram mais difíceis… Até eu jogar Cuphead.

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King Dice: “Você não pode receber reviews negativos se a imprensa não passar do tutorial”

Quando você assiste aos gameplays do jogo daqueles “como passar tal boss”, você fica se sentindo realmente incapaz, mas não se ilude meu amigo, é sorte. A pessoa que subiu o vídeo provavelmente jogou umas 3000 vezes a mesma fase pra conseguir passar, mas lógico que ela só te mostra o resultado.

O jogo é do Studio MDHR e o produto que eles entregaram valeu a pena cada noite que eles passaram em claro desenhando tudo a mão. É isso aí, t-u-d-o a m-ã-o! Aqui você confere um compilado dos vídeos que fizeram para a entrevista da revista Time:

Fora a beleza do jogo, com traços e animações inspiradas em desenhos como Mickey, Tom & Jerry, Popeye e Betty Boop, podemos claramente ver as inspirações dos criadores em jogos antigos como Donkey Kong e Super Mario. É um compilado de referências que vai agradar os saudosistas e também aos jogadores mais novinhos.

Foi inspirado principalmente numa animação japonesa de 1936 que se chama “Evil Mickey attacks Japan – A 1936 Japanese Animation”, onde um Homem Copo aparece e se transforma em um tanque de guerra(?). Além de tudo ser feito a mão, foram feitos mais de 150 designs pra Cuphead antes do atual ser escolhido.

A história é simples, movidos pela ganância dentro de um cassino, Cuphead e Mugman, perdem suas almas para o Diabo e na esperança de recuperá-las concordam em cobrar outras dívidas do demônio. Então cada chefão é uma alma coletada e um passo mais perto de ter as suas almas liberadas.

Meu primeiro gameplay foi (esta sendo) no modo de 1 player, tentei jogar no modo cooperativo com amigos mas sinceramente achei que o nível de dificuldade sobe ainda mais já que você tem muito mais elementos na tela com seu parceiro atirando.

Comandos fáceis mas nem tanto!

Os comandos são relativamente simples, você anda, atira, pula e desvia. Também temos um botão para liberar o ataque especial que é medido com o carregamento de cartinhas de baralho no canto da tela, e daí você pode escolher entre soltá-lo por partes ou acumulado para um tiro mais forte. Para “facilitar” um pouco fui obrigada a mover os botões de “dash” e o do tiro especial para as alavancas (R2 e L2) do meu controle de Xbox360 (estou jogando na Steam), os botões nativos são Y e B e ficava impossível desviar ou soltar um especial sem parar de atirar (segurando o X).

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Há dois modos de jogo: Run and Gun (Correr e Atirar) e os Chefões, ambos com o modo “Simple” (fácil, mas nem tanto) e “Regular” (difícil de verdade) como escolha de dificuldade, mas acho que o que mais surpreendeu a todos foi a capacidade do jogo de se reinventar a cada tela, e até mesmo a cada mudança de ambiente dentro de uma mesma fase. Quando você pensa “Esse jogo é doido! Impossível!” e acha que dominou certa parte, ele te mostra que tudo pode ficar pior e que você vai precisar de um aprendizado completamente diferente pra seguir adiante.

Não há padrões, não há vícios, a não ser na base da sorte, é impossível prever como tal inimigo vai se comportar e qual o próximo movimento dele.  Em cada fase você só tem 3 pontos de vida (3 HP) e por isso obviamente só pode tomar dano 3 vezes, quando isso acontece você retorna para o início da fase e em que jogar tudo de novo, não há check points no meio das fases.

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Para ajudar ao longo da sua jornada o jogo disponibiliza uma loja que vende itens que podem melhorar seus tiros, te tornar invencível por um tempo ou te dar mais um ponto de vida, mas claro que tudo isso vem sempre com uma escolha de ficar mais fraco/vulnerável em outro ponto. Não se pode ter tudo e o jogo deixa isso muito claro.cuphead

Um presente inspirado no passado!

Cuphead é uma obra de arte exatamente por parecer do passado mas não pertencer a ele, sabe quando a gente diz que um jogo envelheceu bem? Parecido com isso, Cuphead nasceu bem. Preenche uma falta de bons jogos de platformer+run-and-gun+boss-battle que a gente tinha, sem parecer em nada com um jogo velho. Em nenhum momento durante o jogo você sente falta de gráficos e super animações, na verdade considero até um alívio uma coisa tão simples e tão bonita que prova que menos (que na verdade é muito trabalhoso) também pode ser muito mais no meio de tanto jogo HighTech.

Precisamos admitir que não é um jogo pra qualquer um. Se você é do tipo que se frustra muito fácil, passa raiva e quebra coisas por causa de jogos, eu recomendo muito que você passe longe de Cuphead, porque o jogo realmente testa seus limites. Mas se você é como eu e adora um desafio e cada vez que você não passa, consegue usar o aprendizado pra tentar de novo, vamos lá e boa sorte, você com certeza tem muitas horas de jogo pela frente e não vai se arrepender da compra.

Nota: nota_1nota_1nota_1nota_1nota_1

Cuphead custa R$ 36,99 na Steam  e na GoG  e R$ 77,45 na Loja Oficial da Microsoft para Xbox One.

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Designer, youtuber quando dá na telha, batgirl toda noite e durante o dia, garota gamer. Apaixonada por redes sociais, arte, escrita, comida e animais, todos com muito leite condensado, por favor.